A migração dos esportes ao vivo para o streaming ainda é relativamente recente, mas o ritmo das mudanças se acelerou à medida que os serviços de streaming buscam capitalizar sobre o apelo inabalável dos esportes ao vivo — o tipo de programação que mais atrai espectadores em tempo real.
A disputa pela aquisição de direitos esportivos lucrativos, no entanto, afetou a experiência do espectador de maneiras muito mais significativas do que no caso de outros programas. Episódios individuais de séries de TV, por exemplo, raramente são divididos entre plataformas. Mas é exatamente isso que está acontecendo com os fãs de esportes.
Quer assistir a todos os episódios de NCIS? O Paramount+ tem o que você precisa. Procurando por Grey’s Anatomy? Você tem várias opções; tanto a Netflix quanto o Hulu têm o catálogo completo. Interessado em Heartland? A série está disponível em diversos serviços, incluindo Hulu, Netflix, Peacock, Tubi, Pluto TV e o Roku Channel.
Ao contrário do que acontece com um programa de TV específico, o acesso a ligas esportivas e jogos de times específicos se dispersou por tantos canais e serviços que o público não consegue mais acompanhar. Isso tem causado frustração, confusão e até mesmo perda de interesse. Essa tendência é mais prevalente nos EUA, mas já começamos a ver sinais de acordos de direitos esportivos “à la carte” também em outros mercados, incluindo o Reino Unido, a Alemanha e a Austrália.

A NFL é a liga esportiva profissional mais lucrativa do mundo; por isso, faz sentido que seus direitos de transmissão sejam tão cobiçados tanto pelas emissoras tradicionais quanto pelas plataformas de streaming. Consequentemente, os fãs da NFL precisam de uma variedade de canais e assinaturas de streaming se quiserem acompanhar toda a ação de uma única temporada. E os fãs que desejam ter acesso a jogos fora de seu mercado precisam adquirir uma assinatura adicional pelo YouTube TV para acompanhar toda a ação da liga aos domingos.

Apesar da fragmentação dos canais, acompanhar os jogos de uma temporada da NFL é relativamente simples. Esse, no entanto, não é o caso de outras ligas, especialmente aquelas com temporadas longas e aquelas que não contam com uma ampla cobertura de transmissão nacional.
A MLB se enquadra nessas duas categorias: cada uma das 30 equipes da liga disputa 162 jogos, o que oferece aos torcedores 2.430 jogos individuais para assistir. E, ao contrário da NFL, a grande maioria dos jogos da MLB não é transmitida nacionalmente. Durante a temporada de 2024, 150 jogos foram transmitidos nacionalmente por canais tradicionais e de streaming, deixando a maioria dos jogos da liga espalhados por uma variedade de redes esportivas regionais (RSNs), canais de TV locais, serviços de streaming e assinaturas diretas ao consumidor (DTC) desenvolvidas pela própria liga.

Fora dos EUA, os torcedores da Premier League no Reino Unido precisam, atualmente, ter acesso à Sky Sports, à TNT Sports e ao Amazon Prime Video para assistir a todas as partidas televisionadas. E a emissora brasileira Globo garantiu recentemente os direitos exclusivos para a transmissão dos jogos em casa de nove dos 20 times da Série A, ligue de futebol do Grupo Libra.

A divisão dos direitos de transmissão televisiva não só se torna um incômodo para os torcedores do ponto de vista financeiro, como também a crescente fragmentação faz com que eles paguem o preço mais alto: não saber onde encontrar os jogos que querem assistir.
De acordo com a Pesquisa Global sobre Esportes de 2024, realizada pela Altman Solon, 66% dos torcedores enfrentam dificuldades para ter acesso aos seus esportes favoritos, mas 56% afirmam que assistiriam mais se a acessibilidade fosse melhorada.
É importante ressaltar que, nesse caso, a acessibilidade não tem nada a ver com conexão à internet ou com ter o dispositivo ou serviço certo. Na verdade, o público televisivo nunca esteve tão envolvido com seus serviços de streaming. Nos EUA, 74% dos lares possuem uma smart TV ativada e 84% têm pelo menos umserviço de vídeo sob demanda por assinatura (SVOD)¹.
Vemos essa mesma mudança em outros lugares. De acordo com o estudo global sobre streaming de 2024 da Simon-Kucher, as assinaturas pagas pelos próprios usuários aumentaram de 2,4 para 3 por assinante no último ano. Esse mesmo estudo, no entanto, observou que o público agora quer mais pelo que está pagando. Especificamente, 54% planejam cancelar por motivos relacionados ao conteúdo (por exemplo, conteúdo insuficiente, conteúdo em excesso, qualidade do conteúdo), e não ao preço.

Esse sentimento de “querer mais” é particularmente relevante para os fãs de esportes, especialmente à medida que os direitos de transmissão esportiva na TV se fragmentam. Os fãs não só precisam saber onde encontrar o que estão procurando, como também precisam de uma excelente experiência de assistir ao programa assim que sintonizarem.
Uma pesquisa recente da Kantar destaca que a relação custo-benefício agora se estende ao conteúdo relacionado a eventos ao vivo: melhores momentos, histórias dos bastidores, estatísticas e documentários. A pesquisa conclui afirmando que as plataformas de streaming esportivo precisam fazer mais do que simplesmente adquirir o conteúdo certo: elas precisam oferecer uma experiência envolvente que promova a fidelização a longo prazo.
Iniciativas recentes de pacotes entre provedores de conteúdo buscam reduzir a rotatividade de assinantes e compensar os custos das assinaturas à la carte, mas não abordam o desafio mais relevante: saber onde um jogo específico está sendo transmitido. Elas também não resolvem a proliferação da fragmentação dos direitos de transmissão de esportes ao vivo, que provavelmente continuará no futuro.
Com o futuro da transmissão esportiva em andamento, as empresas de eletrônicos de consumo, as operadoras de TV por assinatura e os serviços de streaming têm uma grande oportunidade de oferecer aos telespectadores esportivos o que eles querem: acesso a tudo o que procuram.

Considerando o cenário atual da experiência televisiva, que é digital e orientada por aplicativos, basta um feed de dados para oferecer uma interface que informe aos fãs de esportes exatamente onde uma partida está sendo disputada, além da possibilidade de acessá-la — independentemente do canal ou serviço que a esteja transmitindo.

O mesmo se aplica à oferta de experiências esportivas completas. Um feed de dados esportivos dedicado, combinado com informações sobre a programação esportiva, oferece a todos os editores a capacidade de criar portais esportivos, integrar programação relacionada ao esporte, destacar atletas e times específicos, incorporar calendários de eventos, placares e estatísticas em tempo real, além de personalizar interfaces de usuário para cada torcedor.
De acordo com uma pesquisa recente da PWC, uma nova era do streaming exige novas estratégias de dados. No que diz respeito ao consumo de conteúdo esportivo, a empresa sugere que as organizações adotem abordagens omnicanal que se concentrem na coleta de dados reveladores sobre os torcedores e, em seguida, os utilizem para aumentar a audiência e o engajamento.
Dada a trajetória dos direitos de transmissão de eventos esportivos ao vivo nos EUA, é provável que a separação entre os direitos das ligas e dos times se torne mais comum com o tempo, especialmente à medida que o streaming se torna mais onipresente entre o público televisivo. Isso coloca o ônus de resolver as frustrações dos torcedores sobre os ombros das empresas encarregadas de proporcionar a experiência final. O lado positivo é que parceiros de metadados, como a Gracenote , mantêm os dados de programação e esportivos otimizados e padronizados para resolver facilmente as frustrações decorrentes do atual panorama da programação esportiva.
Clique aqui para saber mais sobre o produto “ On Sports ” da Gracenote, que fornece às plataformas de conteúdo os dados necessários para oferecer excelentes experiências de conteúdo esportivo, incluindo ajudar os torcedores a encontrar os jogos que desejam assistir.
Para os fãs de esportes, a dificuldade em encontrar conteúdo é um obstáculo maior do que o custo da assinatura.
Reunir em um só lugar tudo o que os fãs procuram pode reduzir a rotatividade e promover o engajamento a longo prazo.
Centros esportivos centralizados poderiam representar uma virada de jogo para os provedores de conteúdo.
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