Nos anos que se passaram desde que foi cunhada pela primeira vez, a sigla “LGBT” se expandiu para incluir uma gama muito mais ampla de identidades, abrangendo orientação sexual, identidade e expressão de gênero, bem como características sexuais. É nessa gama de diversidade que a comunidade LGBTQ+ acredita que faltam conteúdos inclusivos.
Dentro desse amplo espectro, a comunidade acredita que apenas o conteúdo que aborda relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo é amplamenteaceito¹. Em comparação, os índices de aceitação em relação à diversidade de gênero, à bissexualidade, à assexualidade e à pansexualidade são muito baixos.
Em 2020, muitas comunidades perceberam uma mudança acentuada no compromisso das marcas com a inclusão por meio de suas iniciativas de marketing, em resposta ao debate global sobre a injustiça racial e o tratamento dado às comunidades marginalizadas. Apesar disso, grande parte dessa perspectiva parte de uma base baixa, já que as percepções de inclusão continuam longe de atingir 100%, especialmente para grupos com os quais muitas pessoas estão muito menos familiarizadas, como pessoas pansexuais e de gênero fluido. Também é interessante observar como as percepções diferem entre os membros da comunidade LGBTQ+ e as pessoas que não se identificam como LGBTQ+.
Cerca de metade das lésbicas, por exemplo, acredita que a publicidade é muito pouco inclusiva no que diz respeito ao seu grupo de identidade. Comparativamente, dois terços das pessoas que não se identificam como LGBTQ+ acreditam que a publicidade é muito pouco inclusiva em relação às lésbicas. A grande conclusão aqui é que, em muitos casos, as pessoas fora da comunidade LGBTQ+, por estarem menos expostas a anúncios voltados para o público LGBTQ+, frequentemente percebem que há menor inclusão na publicidade em comparação com as pessoas que se identificam como LGBTQ+.
A diferença é significativa, especialmente para gays e lésbicas. Os dados mostram que alguns públicos LGBTQ+ já percebem os benefícios de conteúdos e publicidade mais inclusivos veiculados em canais digitais preferidos, que permitem uma segmentação mais precisa, mas os espectadores fora desses canais segmentados nem sempre percebem esse avanço. Conteúdos e campanhas inclusivas podem atender tanto às comunidades que representam quanto a públicos mais amplos.
Globalmente, a comunidade LGBTQ+ nos EUA acredita que a publicidade é mais inclusiva em relação à maioria das orientações sexuais — especialmente para aqueles que se identificam como gays — do que em outros países. No México, as pessoas também têm uma percepção elevada de que as representações de pessoas gays na publicidade são inclusivas. Comparativamente, essas percepções são notavelmente mais baixas na França.
Em média, 69% do público LGBTQ+ internacional afirma acreditar que estão sendo feitos esforços para melhorar a inclusão na mídia, mas há mercados em que os consumidores sentem que a inclusão está estagnada ou até mesmo em declínio. Nos nove mercados estudados, 27% de todos os entrevistados acreditam que o nível de inclusão não mudou, enquanto 6% dos entrevistados LGBTQ+ no Canadá e 5% no Brasil percebem uma redução na inclusão nos últimos dois anos. No Brasil, a percepção de inclusão caiu ainda mais entre a população em geral.
De modo geral, a percepção da comunidade LGBTQ+ indica que as representações atuais na mídia oferecem uma visão incompleta das identidades e experiências LGBTQ+. No geral, a inclusão está melhorando, mas essa inclusão se concentra principalmente nas identidades gays e lésbicas, deixando muitos grupos amplamente sub-representados.
Além de apontar uma visão incompleta da comunidade como um todo, os consumidores entrevistados para nosso estudo internacional sobre percepções da mídia inclusiva para a comunidade LGBTQ+ têm opiniões firmes sobre a necessidade de autenticidade na mídia e o abandono dos estereótipos. Em todos os grupos, inclusive aqueles que não se identificam como LGBTQ+, evitar os estereótipos é a principal forma de melhorar a inclusão no conteúdo, seguida de perto pela necessidade de mais autenticidade e realismo.
Para obter mais informações, baixe nosso recenterelatório global sobre a comunidade LGBTQ+.
*Este artigo foi publicado originalmente no site www.nielsen.com.
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